segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O Papel do Psicólogo Escolar


Gente vale a pena conferir esse vídeo e refletir um pouco sobre o verdadeiro papel do psicólogo dentro das instituições de ensino.  

A psicologia Escolar Educacional


 A Diferença entre a Psicologia Educacional e a Psicologia Escolar.






Psicologia Educacional é uma área do conhecimento que tem como finalidade a produção de saberes sobre o fenômeno psicológico no processo educativo.

Psicologia Escolar é responsável pelo campo de atuação profissional, executando intervenções no espaço escolar ou a ele relacionado. Tem como foco o fenômeno psicológico, estabelecidos por saberes já produzidos.




Aspectos Históricos


A Psicologia contribuiu largamente para o desenvolvimento do campo da educação, e estas possuem uma grande interface ainda nos dias atuais. Apesar disso, inicialmente a Psicologia não tinha um espaço assegurado no campo da educação. Enquanto a concepção da chamada Escola Tradicional se mantinha em ação, não havia espaço e nem necessidade de uma Psicologia para acompanhar a prática educativa. Na concepção tradicional a educação era vista como um trabalho de desenraizamento do mal, que era considerado inato no ser humano. O homem nascia já dotado de duas naturezas, sendo uma parte já corrompida e a outra caracterizada como a essencial, potencialmente boa e construtiva. Cabia assim à educação desenvolver e zelar por essa parte essencial impedindo que a parte corrompida se manifestasse nos indivíduos, e para isto era necessário o conhecimento, uma vez que apenas este poderia ser capaz de dar ao homem condições necessárias para o controle de tal mal.
Assim, na Escola Tradicional era essa a visão de aluno, um ser naturalmente corrompido, que precisava ser “domado”. Estes deveriam ser expostos a determinados modelos exemplares de seres humanos para que assim desenvolvessem a natureza humana essencial. Tais modelos eram exatamente os professores, figuras exemplares de “perfeição”. Outro aspecto visivelmente presente na Escola Tradicional eram os notórios princípios e códigos morais que regiam o ambiente escolar. Estes eram estabelecidos a partir de disciplina e de regras extremamente firmes, com o objetivo de corrigir quaisquer desvios existentes nos alunos.
Com essa alternativa e possibilidade que o aluno tinha para desenvolver seu lado bom era totalmente desnecessária a presença da Psicologia no âmbito da educação, uma vez que já se conhecia suficientemente bem o ser humano e suas formas de aprimoramento.
A partir do século XX esta lógica mudou. A visão foi voltada para a valorização da infância e as crianças eram vistas como “o futuro da nação”. A escola também modificou-se  partir de novas idéias trazidas pela Pedagogia da chamada Escola Nova. 


O Psicólogo Escolar Educacional como Promotor de Saúde




O psicólogo escolar educacional deve desempenhar um papel de promotor de saúde. Ao colaborar com os pais, com a criança ou adolescente e com as instituições educativas, o papel do psicólogo visa à promoção de uma atitude global da valorização da saúde que envolve saber avaliar o estilo de vida e a saúde do próprio, intervir ativamente na saúde e ultrapassar os problemas psicológicos e/ou sociais. A saúde é entendida hoje não só como a ausência de doenças, mas na direção de uma psico-higiene. A interdisciplinaridade é fundamental no trabalho do psicólogo dentro das instituições de ensino, pois é necessário ir além dos conhecimentos psicológicos, para facilitar a compreensão da complexa teia de relações presentes no cotidiano de uma organização social.


A formação Profissional



A formação desse profissional se dá a partir de uma ação formativa, ou seja, de uma necessidade de construir formulações teórico-metodológico que embase a sua prática profissional. Para Martinez (2003), a Psicologia Escolar, enquanto campo de produção cientifica e de trabalho profissional, é a expressão da própria Psicologia no contexto escolar e se constitui a partir da conjunção de dois objetivos: o de contribuir com a otimização do processo educativo e com o espaço de sua ação, entendido como as instituições escolares.
Os cursos de formação buscam uma reelaboração das estruturas epistemológica, filosófica e política em conjunto com seus conhecimentos sobre psicologia diferencial, aprendizagem e desenvolvimento, psicologia social, organizacional, clínica, comunitária e com a compreensão dos objetos específicos da educação escolar (leitura, escrita, cálculo etc).
Dessa forma percebemos que cabe aos psicólogos escolares fazerem-se presentes nos contextos e nos espaços de discussão e elaboração de propostas, defendendo que tais ações sejam suficientemente abrangentes e eficazes para garantir uma mudança também no panorama da formação desse profissional. Assim, apesar de toda a importância que se formula em torno da construção de uma prática profissional competente, sabe-se que apenas a implantação de novas alternativas na formação não garante, por si só, a modificação profunda do panorama crítico em que se encontra a Psicologia Escolar.
 Acredita-se que as transformações necessárias à constituição do novo não se concretizarão somente a partir de rupturas ou reformulações institucionais, mas, antes, pela inserção ativa (e interativa) de sujeitos conscientes de seus papeis e funções, da diversidade teórica e metodológica da Psicologia, da especificidade do suporte psicológico com base na atitude clínica e na sensibilidade da escuta. 

Referências:
Antunes, M. A. M (2007) Psicologia escolar e educacional: história, compromissos e perspectivas. Cad. Psicopedag. V.6  N.11. São Paulo
Proença, M (2011) Psicologia educacional e suas conexões com as diversas áreas de Psicologia. CONPSI, UFBA. Salvador
Marinha-Araujo, C. M (2010) Psicologia escolar: construição e consolidação da identidade profissional. Campinas, SP: Editora Alínea.
Jeffery Contini, L. M (2000) Discutimos o Conceito de Promoção de Saúde no Trabalho do Psicólogo que atua na Educação. Revista Ciencia e Profissao 20(2). São Paulo