Gente vale a pena conferir esse vídeo e refletir um pouco sobre o verdadeiro papel do psicólogo dentro das instituições de ensino.
Psicologia e Educação
“Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.” Paulo Freire
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
O Papel do Psicólogo Escolar
Gente vale a pena conferir esse vídeo e refletir um pouco sobre o verdadeiro papel do psicólogo dentro das instituições de ensino.
A psicologia Escolar Educacional
A Diferença entre a Psicologia
Educacional e a Psicologia Escolar.
Psicologia Educacional é uma área do
conhecimento que tem como finalidade a produção de saberes sobre o fenômeno
psicológico no processo educativo.
Psicologia Escolar é responsável pelo campo de
atuação profissional, executando intervenções no espaço escolar ou a ele
relacionado. Tem como foco o fenômeno psicológico, estabelecidos por saberes já
produzidos.
Aspectos Históricos

A Psicologia contribuiu largamente para o desenvolvimento do campo da educação, e estas possuem uma grande interface ainda nos dias atuais. Apesar disso, inicialmente a Psicologia não tinha um espaço assegurado no campo da educação. Enquanto a concepção da chamada Escola Tradicional se mantinha em ação, não havia espaço e nem necessidade de uma Psicologia para acompanhar a prática educativa. Na concepção tradicional a educação era vista como um trabalho de desenraizamento do mal, que era considerado inato no ser humano. O homem nascia já dotado de duas naturezas, sendo uma parte já corrompida e a outra caracterizada como a essencial, potencialmente boa e construtiva. Cabia assim à educação desenvolver e zelar por essa parte essencial impedindo que a parte corrompida se manifestasse nos indivíduos, e para isto era necessário o conhecimento, uma vez que apenas este poderia ser capaz de dar ao homem condições necessárias para o controle de tal mal.
Assim, na Escola Tradicional era essa a visão de
aluno, um ser naturalmente corrompido, que precisava ser “domado”. Estes
deveriam ser expostos a determinados modelos exemplares de seres humanos para
que assim desenvolvessem a natureza humana essencial. Tais modelos eram
exatamente os professores, figuras exemplares de “perfeição”. Outro aspecto
visivelmente presente na Escola Tradicional eram os notórios princípios e
códigos morais que regiam o ambiente escolar. Estes eram estabelecidos a partir
de disciplina e de regras extremamente firmes, com o objetivo de corrigir quaisquer
desvios existentes nos alunos.
Com essa alternativa e possibilidade que o aluno
tinha para desenvolver seu lado bom era totalmente desnecessária a presença da
Psicologia no âmbito da educação, uma vez que já se conhecia suficientemente
bem o ser humano e suas formas de aprimoramento.
A partir do século XX esta lógica mudou. A visão
foi voltada para a valorização da infância e as crianças eram vistas como “o
futuro da nação”. A escola também modificou-se partir de novas idéias
trazidas pela Pedagogia da chamada Escola Nova.
O Psicólogo Escolar Educacional como Promotor de Saúde
O psicólogo escolar
educacional deve desempenhar um papel de promotor de saúde. Ao colaborar com os
pais, com a criança ou adolescente e com as instituições educativas, o papel do
psicólogo visa à promoção de uma atitude global da valorização da saúde que envolve
saber avaliar o estilo de vida e a saúde do próprio, intervir ativamente na
saúde e ultrapassar os problemas psicológicos e/ou sociais. A saúde é entendida
hoje não só como a ausência de doenças, mas na direção de uma
psico-higiene. A interdisciplinaridade é fundamental no trabalho do psicólogo
dentro das instituições de ensino, pois é necessário ir além dos conhecimentos
psicológicos, para facilitar a compreensão da complexa teia de relações
presentes no cotidiano de uma organização social.
A formação Profissional
A formação desse profissional se dá a partir de uma ação formativa, ou
seja, de uma necessidade de construir formulações teórico-metodológico que
embase a sua prática profissional. Para Martinez (2003), a Psicologia Escolar,
enquanto campo de produção cientifica e de trabalho profissional, é a expressão
da própria Psicologia no contexto escolar e se constitui a partir da conjunção
de dois objetivos: o de contribuir com a otimização do processo educativo e com
o espaço de sua ação, entendido como as instituições escolares.
Os cursos de formação buscam uma reelaboração das
estruturas epistemológica, filosófica e política em conjunto com seus
conhecimentos sobre psicologia diferencial, aprendizagem e desenvolvimento,
psicologia social, organizacional, clínica, comunitária e com a compreensão dos
objetos específicos da educação escolar (leitura, escrita, cálculo etc).
Dessa forma percebemos que cabe aos psicólogos
escolares fazerem-se presentes nos contextos e nos espaços de discussão e
elaboração de propostas, defendendo que tais ações sejam suficientemente
abrangentes e eficazes para garantir uma mudança também no panorama da formação
desse profissional. Assim, apesar de toda a importância que
se formula em torno da construção de uma prática profissional
competente, sabe-se que apenas a implantação de novas alternativas na formação
não garante, por si só, a modificação profunda do panorama crítico em que se
encontra a Psicologia Escolar.
Acredita-se que as transformações necessárias à constituição
do novo não se concretizarão somente a partir de rupturas ou
reformulações institucionais, mas, antes, pela inserção ativa (e interativa) de
sujeitos conscientes de seus papeis e funções, da diversidade teórica e
metodológica da Psicologia, da especificidade do suporte psicológico com base
na atitude clínica e na sensibilidade da escuta.
Referências:
Antunes, M. A. M
(2007) Psicologia escolar e educacional: história, compromissos e perspectivas.
Cad. Psicopedag. V.6 N.11.
São Paulo
Proença, M
(2011) Psicologia educacional e suas conexões com as diversas áreas de
Psicologia. CONPSI, UFBA. Salvador
Marinha-Araujo,
C. M (2010) Psicologia escolar: construição e consolidação da identidade
profissional. Campinas, SP: Editora Alínea.
Jeffery Contini,
L. M (2000) Discutimos o Conceito de Promoção de Saúde no Trabalho do Psicólogo
que atua na Educação. Revista Ciencia e Profissao 20(2). São Paulo
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